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Desculpa. Desculpa pela minha falta de culpa, pelo amor que
não preservei, pela vontade de seguir em frente ao teu lado que eu não tive. Desculpa
também por ter tido sonhos maiores, criando cenas da janela que só cabe um.
Talvez mais. Mas não tinha espaço pra você, não dei tempo que ganhasse espaço.
Poderia pedir desculpas por não ter escrito antes, por conservar qualquer sentimento
e nenhum tapa na cara anterior.
Perdoa pela pressa, pelo repentino desvanecimento,
por partir como todos os outros, embora eu saiba que não fui. Vou usar tantos
outros clichês pra dizer também que a culpa não foi minha, mas a culpa também
não foi sua, que nós tínhamos tempos diferentes pra viver o que podia ter sido
e não foi. Quem disse que eu queria ser pra você algo fundamental, qual doença
me fez crer que só eu caberia ali e não coube, não coube, não havia espaço pra
nós dois. Também queria dizer que foi assim com as demais pessoas qual passaram
por mim, assumo, mas nenhuma delas seria realmente importante, era o que era, e
era pra ser só aquilo mesmo.
Mesmo assim, me desculpe, por não ser teu e também
não ter sido de ninguém. Desculpe. Não tenho fardo pra ser propriedade. Não foi
fácil até aqui, não vai ser mais fácil amanhã nem depois, acostumei em ser só,
ser barco sem remo e estrada curta demais pra dois. Só vou quebrar a cara umas
duas ou três vezes pra provar o contrário, talvez umas quinhentas, mas isso é
questão de tempo, é só pra duvidar mesmo de que eu goste dessa tal carência que
bate vez ou outra, quando nem você nem outro alguém podem curar, ou podem, não
sei.
Desculpa mesmo, mas, será que ninguém vê, é só carência mesmo, falta de
afeto, de ternura e de teto. Perdoa, retira tudo o que foi dito, vou ligar o
celular e carregar a alma, uma hora ele toca e carrega minha mente, vem invadir
o coração! Pode chegar que eu quero é prova do contrário. Chega sem avisar e
toma essa minha certeza de desamor.
"A gente sempre deixa de cuidar do que já tem na mão." Cicero.


